As relações com a família se configuram no primeiro espaço interativo do homem, no qual desenvolve relações sociais, e estabelece vinculo de interesse comum. A utilização deste espaço, com trocas de experiências, de resoluções de problemas e as ajudas disponibilizadas para ambos, faz disso uma rede, e este pertencer a uma rede faz com que haja mudanças neste indivíduo e no contexto cultural no qual a rede compõe. Nelson Pretto e Felipe Serpa (2001), também definem a rede como um espaço de utilização de recursos para o bem individual e coletivo, além de ser um espaço comunicativo de conexão e articulação de indivíduos e comunidades que está aberta e sempre em construção.
Uma
rede se organiza através de um movimento social e cultural, através
de uma estrutura horizontal, onde cada indivíduo constrói e atua de
acordo com suas características específicas. Estas estruturas são
conexas e dinâmicas e estabelecem maior participação e
colaboração, criando relações pessoais, sustentadas pela
afinidade e vontade dos indivíduos, para a estruturação social,
compondo, então as redes sociais.
[...] a noção de rede diz respeito a um princípio de organização de sistemas, o qual envolve as redes tecnológicas, as redes sociais, as redes acadêmicas e, claro, as redes das redes, gerando, potencialmente, conhecimentos que podem contribuir para uma maior integração de ações e conhecimentos, dentro de um universo interdependente. Entender os princípios que caracterizam a estrutura de rede fortalece uma perspectiva de análise da realidade, na qual os sujeitos ocupam um espaço significativo de poder, exercendo a sua capacidade de alterar essa realidade, a partir das condições constituídas historicamente. (PRETTO; ASSIS, 2008)
As
redes sociais são transformadoras, pois o fato de se fazer parte de
uma rede, desperta o protagonismo, ou melhor, ensina a ser o
facilitador do protagonismo de várias pessoas, facilitando e
possibilitando de forma transformadora a aprendizagem, desencadeando
mudanças individuais e grupais. Podem ser vistas como
interdependentes, pois envolvem participações e colaborações dos
indivíduos que dela participam, posicionando-os, socializando-os e
integrando-os em seu meio.
Com a chegada da internet, a
idéia das redes sociais ganha força e adquirem o molde atual,
facilitando as relações pessoais, as informações entre as pessoas
e redes de comum interesse. Amigos, pessoas afins se reencontraram,
novos grupos se formaram, a partir de gostos e afinidades comuns,
conectando e se comunicando através de diversos sites, perfis e
fóruns, além de uma infinidade de recursos tecnológicos. Estas
formações interativas possibilitaram que as redes sociais fossem
criadas na internet, gerando vínculos sociais.
No Brasil, o acesso as redes
sociais é muito grande, sendo um dos dez países em que as pessoas
mais acessam, segundo pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência
(2010) (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) e
pela Worldwide Independent Network of Market Research (WIN).
Os resultados mostram que 87% de
internautas participam de diversas redes (Orkut, Youtube, Twitter,
Facebook, entre outras). Em sua maioria, os brasileiros acessam as
redes sociais por questões pessoais (83%), e pouco por razões
profissionais (33%), estando acima da média mundial que é de 75% e
25% respectivamente. Sendo que na região nordeste o acesso pessoal
alcança os 90%, contra 85% da região sudeste.
A internet, hoje, se faz presente
em diversos segmentos sociais e já ocupa lugar em inúmeras ações
no cotidiano das pessoas em diversas questões (sociais, informações,
serviços e comunicação), possibilitando que estas pessoas atuem de
forma interativa. Usado a partir do século XX, o conceito de
interação, mais especificamente o de interação social, designa a
influência, de forma recíproca, de atos de grupos ou pessoas. Já o
conceito de interatividade surge, de forma mais recente, no contexto
das TIC.
A
partir do desenvolvimento das TIC, uma forte mudança na forma de
comunicar-se, onde o atual modelo, linear, de distribuição
informativa de emissão da mensagem para o receptor modifica-se,
transformando a mensagem para um conteúdo que possa ser manipulado
tanto pelos que emitem e pelos que recebem.
Nota-se
porém, que nem todas as emissões passam por esse modelo, e que
ainda hoje, existem informações transmitidas pelo modelo linear da
mídia, mesmo com as TIC potencializando outra forma de comunicação,
mais interativa, mesmo que esta não seja absolutamente necessária
para haver interatividade, e que oferecem a quem recebe várias
possibilidades de manipular esta informação.
No
campo da educação, a utilização da interatividade como forma de
comunicação entre aluno e professor nos faz pensar sobre a maneira
de como se transmite a informação e seu conteúdo, linear, de forma
sistemática e hierárquica na soberania do professor em educar. Com
a possibilidade de novas relações, oferecidas pela interatividade
na escola, com trocas entre todos, sem saberes hierarquizados, há
uma construção coletiva, tornando as pessoas que recebem, naquelas
que também emitem. Criam-se, então autores e co-autores de uma
mesma produção.
Na educação a internet é, ou deveria ser utilizada em diversos
contextos, seja de maneira formal ou informal, como plataforma
pedagógica de apoio a pesquisa e ao processo de ensino, e
consequentemente de aprendizado, quanto na extensão do espaço da
escola, na construção de ambientes virtuais, que favorece, ou
deveria, a interação entre comunicação e educação, e a família
com a escola. A construção de ambientes virtuais na escola e a
internet são uma maneira de entender e participar em um mundo em
movimento e em franca transformação.
Antes de ser utilizada como forte referência de recursos para a
educação, a internet já estava inserida no contexto dos alunos,
que utilizam blogs para se comunicar com amigos, redes sociais de
relacionamentos, escutam músicas, assistem e compartilham vídeos,
fazem downloads e trocam muitas informações com as pessoas. Uma
característica marcante dessa nova geração refere-se à
colaboração entre as pessoas que usam e utilizam a web na
construção e desenvolvimento de conteúdos para que se tornem
melhores, quanto mais são usados e transformados pelas pessoas,
formando uma vasta rede virtual.
Com a participação dos alunos de forma ativa na construção de sua
aprendizagem, e de seus pares de forma colaborativa, o uso das redes
sociais pode ser feito na escola, em casa ou mesmo nas lan houses,
pois as redes sociais oferecem através de seus meios um grande
potencial educativo, possibilitando trocas de conteúdos,
aprendizagens colaborativas em grupo, compartilhando idéias.
A
educação através das redes sociais e das TIC, propõe desafios aos
alunos, para que possam se informar e reconstruir os conhecimentos
que já foram construídos anteriormente. É fundamental que o aluno
crie o seu próprio caminho, com uma produção pessoal de
informações, ligando entre si os saberes, realizando a
permutabilidade-potencialidade própria das redes digitais
(BIANCHETTI;
FERREIRA, 2005).
Os
sujeitos inseridos no processo educacional neste espaço terão
possibilidades participativas, de diálogos e construções coletivas
de novas linguagens, gerando formas diferentes e novas de entender o
mundo e a sociedade que os cerca, possibilitando relações e
comportamentos novos.
Sendo
assim, a interatividade torna possível uma aprendizagem
diferenciada, onde o aluno traça seu caminho de acordo com suas
necessidades e desejos, potencializados pelas tecnologias digitais,
realizando trocas com os demais envolvidos no processo de produção
dos conhecimentos.
É
importante que possamos perceber as possibilidades interativas que as
TIC e as redes sociais proporcionam à educação, podendo ser um
divisor entre a educação tradicional e outra construtiva, de forma
inexorável, no processo dos conhecimentos, percebendo o aluno como
um sujeito extremamente importante deste processo.





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