Jornalismo colaborativo

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journalism em junho 20, 2009 por limax1

A internet está mudando a maneira com que mídias tradicionais vêm interagindo com
seus leitores. A popularização da internet está propiciando ao cidadão deixar de ser
um mero leitor para transformar-se parte da notícia. Canais de TV e outras mídias já

perceberam isso e dão espaço ao leitor para que ele contribua na cobertura de fatos com
textos, fotos e filmes. Esse jornalismo é denominado jornalismo colaborativo, (em
inglês journalism open source ou open journalism).

Para ter uma idéia da abrangência do fenômeno no mundo, nos EUA, dos 20 milhões de
blogs, 34% são considerados jornalísticos por seus donos, aponta um estudo divulgado
no ano passado pela Pew Internet & Family Project. Mais: na Coréia do Sul, por
dia, 700 mil acessos são feitos ao jornal virtual OhMyNews, redigido pelos próprios
internautas.

Aqui no Brasil temos alguns sites que utilizam essa mandeira de jornalismo, como o IG
(Minha notícia), o Terra (Você Repórter) e o site de cultura Overmundo, dentre outros.

Um estudo divulgado pelo Berkman Center for Internet & Society, da Universidade
de Harvard Media Re:public: News and Information as Digital Media Come of Age
(Re:pública da Mídia: Notícias e Informação no momento em que a mídia digital chega
à maturidade) mostra como a transformação está ocorrendo rapidamente, facilitada
pelas ferramentas digitais.

O estudo diz que organizações de mídia inovadoras já conseguem obter vantagens
das oportunidades desse sistema de baixo custo para distribuição da informação, em
detrimento das grandes companhias de mídia que começam a ruir. Mostra também
a preocupação sobre a qualidade e a credibilidade da mídia online, a possível
fragmentação das audiências, o declínio dos editoriais e a mudança na maneira de
reportar as notícias.

Essa discussão tem sido freqüente entre os profissionais do ramo. Alguns sentem-se
ameaçados, acreditam que é necessária a normatização da participação dos leitores
que tenham o quê escrever ou falar sobre os respectivos ramos de atividade e até sobre
assuntos gerais, de uma forma que não venham a produzir notícias ou ocupar o espaço
profissional exclusivo do jornalista. Acham que o leitor pode ocupar importantes
espaços de opinião e contribuir com o debate, desde que ele não seja concorrente direto
das redações.

O Supremo Tribunal Federal decidiu pelo fim da exigência do diploma de jornalistapara o exercício da profissão , o que causou muitos protestos entre a classe jornalística
e aumentou ainda mais a discussão. Essa decisão abre maiores oportunidades aos ‘não
jornalistas’ que querem contribuir com envio de matérias, fotos e filmes para algum
veículo de comunicação.

Deixando a questão da regulamentação da profissão à parte, eu consigo ver algumas
vantagens do jornalismo colaborativo:

1. Os internautas enviam notícias que, de outra forma, os veículos de mídia dificilmente
conseguiriam descobrir. São fatos regionalizados.

2. O número de textos, vídeos e imagens enviadas por internautas são muito maiores do
que uma redação poderia buscar em um mesmo espaço de tempo.

3. As pessoas se vêem representadas no jornal, pois podem dar a sua visão das notícias.
A relação do leitor também fica muito mais próxima com os demais leitores.

4. A mídia tradicional reconhecerá que a audiência tem um grande conhecimento, o
que pode ajudar a melhorar o jornalismo. A mídia precisa ouvir mais os leitores para
aprender o que eles sabem.

Me deparei com um texto denominado “jornalismo colaborativo funciona” que também
discute essa questão através de um erro do UOL.

Escrito pela jornalista Ana Maria Brambilla, mestre em Comunicação e editora
assistente de conteúdo colaborativo na Editora Abril, o texto mostra o que aconteceu na
veiculação da matéria sobre o desastre aéreo da TAM, em Congonhas, onde o Airbus
explode após sair da pista e se chocar contra o armazém da própria empresa.

O site UOL pede aos internautas que enviem fotos ou imagens do acidente e logo
publica a imagem de uma pessoa se jogando do alto do hangar da companhia, enviado
por um internauta.


Depois de 38 minutos, outro internauta informa que aquilo era uma montagem amadora
em photoshop. O portal admitiu o erro e retirou a foto. Segundo Ana Maria, “O
episódio provocou questionamentos sobre a eficácia do jornalismo colaborativo e
despertou uma certa alegria vingativa nos coleguinhas cabeças-de-papéis que não
acreditam que cada cidadão possa ser um repórter. Era possível sentir o clima de “Eu
avisei! O público só faz besteira. Quem diz a verdade somos nós, jornalistas!””

Eles só se esqueceram de que a imagem foi para a homepage do UOL por intermédio
de um jornalista, que deveria ter checado a informação e a edição da foto antes de ser
veiculada.

E ela ainda adiciona “É possível se dar conta de que não é qualquer jornalista que pode
trabalhar com conteúdo colaborativo e que, para isso, deve-se ter todo um preparo, uma
visão específica do processo? É possível, por fim, admitir que jornalistas profissionais,
bem preparados nunca foram tão necessários e que o fato de cada cidadão ser um
repórter não significa que precisemos rasgar nossos diplomas? O vexame dado pelo
UOL foi extremamente útil para nos provocar esses questionamentos. O saldo me

parece: mais do que comprovar que o UOL não sabe fazer jornalismo colaborativo,
ficou claro que a colaboração funciona! Especialmente porque o erro foi apontado pelos
próprios internautas. Basta ter jornalistas competentes e ouvir o que o público diz.”

Ainda acho que ninguém pode substituir o jornalista na edição, checagem e elaboração
de uma matéria. Eu tenho uma certa dificuldade para escrever um texto para esse blog,
pois não sou jornalista, enquanto vejo excelentes textos de meus colegas jornalistas. Aí
está a diferença.

Mas o jornalismo colaborativo veio para ficar. Resta então à classe de jornalistas,
editores, redatores adaptarem-se às novas mídias e obter proveito das vantagens obtidas
com o advento dos leitores colaborativos.

Fontes:
Observatório da Imprensa:
Blog: http://www.anacarmen.com/blog/tag/jornalismo-cidadao/ acesso em 20 jun 09

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