Redes sociais

Escrito por Alessandra Lima


De acordo com Marshall McLuhan, “as invenções na tecnologia causam, invariavelmente, uma mudança cultural. Enquanto o determinismo econômico de Marx argumentava que as mudanças nos modos de produção determinam o curso da história, McLuhan concluiria que as mudanças específicas nos modos de comunicação moldam a existência humana.”1

A velocidade com que a tecnologia avança nos dias atuais leva a uma reflexão de como o homem se relaciona com esta tecnologia e como esta vem modificando, e ainda modificará em muito as relações humanas. A internet propiciou uma mudança radical na maneira com que passamos a nos relacionar com outras pessoas. As relações entre as pessoas através do computador foram identificadas e receberam o nome de redes sociais ou comunidades virtuais.


As redes sociais são, como o próprio nome diz, redes de intercâmbio social desenvolvidas na Internet. De acordo com Raquel Recuero, pesquisadora e autora do livro “Redes Sociais na Internet”, “Quando uma rede de computadores conecta uma rede de pessoas e organizações, é uma rede social”2



Segundo Howard Rheingold, “Comunidades Virtuais são agregações sociais que emergem da internet quando um número suficiente de pessoas acha aquelas discussões longas demais, com sentimentos humanos suficientes, para formar redes de relacionamentos pessoas no ciberespaço.”

As redes sociais estão em alta, crescendo exponencialmente a cada dia. Para se ter uma idéia, a wikipedia no Brasil lista mais de 100 tipos de redes sociais. E há muitas mais. A facilidade do uso, aliadas ao desejo de expressão do público faz com que as redes se multipliquem. Essa participação dá-se em escala global, o que nunca aconteceu antes em outro meio de comunicação.

As redes sociais são ambientes naturalmente propensos às atividades de interação, discussão e construção do conhecimento coletivo. São terreno fértil para a gestão colaborativa por serem espaços nos quais o internauta está presente e envolvido com a proposta, disposto a debater e a opinar.
As redes sociais não devem ser confundidas com os sites que as suportam, pois são as expressões de grupos, pessoas e instituições que estão permanentemente conectadas por essas novas tecnologias de comunicação e informação que formam essas redes.

Hoje toda a pessoa conectada à internet pertence a pelo menos uma rede social. De acordo com o Pew Internet & American Life Project, o percentual de americanos adultos usuários da internet e com um perfil em uma rede social quadruplicou em quatro anos, de 8% para 35%, de acordo com uma pesquisa de dezembro de 2008.

As redes sociais são dinâmicas e estão sempre em transformação, razão pela qual a compreensão destas se torna tão difícil. As redes sociais podem ser constituídas por interações de natureza diversa.

As pessoas se utilizam das redes para reencontrar amigos, auxiliar a manter relações sociais e ampliar suas redes. As redes sociais na Internet expressam um conjunto de relações já existentes e vão manter um espaço contínuo de conexão para os atores sociais. Dentro dessa perspectiva, essas redes vão se constituir sim em espaços de trocas e interação e é esse o primeiro uso: conectar pessoas. Estudos sobre o uso do Facebook nos Estados Unidos, por exemplo, demonstraram que um dos principais valores da ferramenta era permitir que os jovens mantivessem seus contatos com amigos quando se mudavam para estudar em outra cidade. Ou seja, a Internet auxiliava a manter as conexões sociais das pessoas, como forma de amplificar o alcance dos contatos.

As redes sociais são também circuladoras de informação, à medida que tornam-se caminho de fluxos de notícias e atingem pontos em toda a parte da terra. Essas informações podem ser de todo o tipo, desde pessoais até informações relevantes para diversos grupos. Vimos imagens dos protestos do Irã correrem o mundo através da internet, apesar da imprensa ter sido proibida de noticiar os acontecimentos.

As redes sociais ampliaram também a colaboração entre pessoas com interesses comuns e devido a isso permitem também a mobilização social. Muitas ações já repercutiram na mídia e em espaços nacionais e internacionais. O site The Pirate Bay, conseguiu apoio de milhares de internautas que se declaravam culpados por baixar músicas na internet. A Assembléia Legislativa de São Paulo foi palco de um grande protesto contra a proposta de lei do Senador Azeredo organizado e difundido como Movimento “Mega Não” principalmente através das redes sociais na Internet. O ato, que contou com a participação de políticos, ONGs e internautas passou também a ser espalhado pelos estados brasileiros.

Nas redes sociais na Internet, portanto, está um potencial mobilizador decorrente da possibilidade de encontrar pessoas com interesses comuns e pensamentos semelhantes. Um potencial gerado a partir da construção de um novo espaço de debate e de canais alternativos de comunicação e informação.
1. Em Griffin, A first look at communication theory, McGraw-Hill, 1994, pp. 332-343
2.
Versão da pesquisadora em português do texto de Garton, Haythornthwite e Wellmann, 1977, pg. 1.


Referências
Propaganda Pessoal: Redes Sociais na Internet – Missila Loures Cardozo
USCS – Universidade Municipal de São Caetano do Sul, São Paulo, SP http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2008/resumos/R3-1061-1.pdf acesso em 26/06/09
A marca nas redes sociais virtuais: Uma proposta de gestão colaborativa – Joana Dambrós e Clóvis Reis FURB – Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC
http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2008/resumos/R3-0519-1.pdf acesso em 26/06/09
RECUERO, Raquel. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre, Sulina, 2009.
http://www.redessociais.net/

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