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em agosto 5, 2009 por limax1
* Postado por Vitor
Hugo Baqueta
Os meios de
comunicação, enquanto organizadores políticos dos fatos, podem ser
considerados como precursores da globalização e da revolução
informacional e, conseqüentemente, de todas as distorções que
vieram acopladas a estes novos processos de ordem mundial. A questão
agora é tentar compreender as causas e minimizar os impactos que
surgiram junto com esta nova ideologia neoliberal, onde tudo e todos
estão interligados.
Análise de uma mídia globalizada
Por outro lado, o surgimento da cultura cibernética nos trouxe liberdade em vários aspectos. Liberdade de poder escolher ao que assistir, ler, ver, ouvir, enfim, liberdade para selecionar e filtrar àquilo que interessa a cada pessoa, dotada de crítica e razão. E as possibilidades neste caso são quase que infinitas, se considerarmos a quantidade de material que vemos produzido na rede. Isso sem falar em uma das características mais marcantes da rede, a de que qualquer indivíduo também pode ser responsável pela sua própria produção cultural ou artística.
Análise de uma mídia globalizada
O cenário global
atual, inchado pelas novas tecnologias
de informação
e de comunicação, apresenta certas particularidades que nos
permitem entender os desdobramentos que esses fenômenos trouxeram
consigo nas áreas de cultura e de sociedade. Em “A galáxia da
Internet”, Manuel
Castells traz
reflexões sobre como o surgimento – e sua popularização – da
World Wide Web afetou o modelo econômico dominante e a sociedade.
Para ele “os
sistemas tecnológicos são socialmente produzidos. A produção
social é estruturada culturalmente. E a Internet não é exceção.
A cultura dos produtores da Internet moldou o meio…Embora
explícita, a cultura é uma construção coletiva que transcende
preferências individuais, ao mesmo tempo que influencia as práticas
das pessoas no seu âmbito (CASTELLS, Manuel. A galáxia da Internet,
capítulo 2, p. 34)”.
Castells também
destaca uma divisão sobre as camadas culturais na qual estão
alicerçadas a Internet. São elas; Tecnomeritocrática, Hacker,
Comunitária Virtual e Empresarial. Cada uma com suas
particularidades e interligando o papel da rede. Mas afinal como o
surgimento da Internet mudou e moldou o padrão de vida da sociedade
(e da mídia), seja no âmbito econômico, político, pessoal,
social, entre tantos outros?
A Era Virtual; um
novo conceito de mídia e de sociedade
O surgimento da rede
mundial de computadores reformulou o conceito de mídia. Após a
internet, todas as mídias tiveram que remodelar-se. Foi o caso da
tevê que teve de buscar novas formas de divulgação das
informações, trazendo embutido consigo o conceito do espetáculo e
da encenação, ou como preferem alguns teóricos da área,
o do simulacro.
Os próprios jornais impressos se viram obrigados a entrar no jogo,
com suas páginas da rede atualizadas
a cada minuto
e novos projetos gráficos que satisfaçam os desejos dos leitores do
século 21.
Diante disso, um
novo fenômeno também surgiu, sendo classificado por Zygmunt Bauman
como “Modernidade
Líquida”, onde
os acontecimentos, mesmo que separados por fusos horários, longas
distâncias e questões de natureza geopolíticas, se tornaram
universais.
“O mundo de agora
valoriza a instantaneidade do software, que delineia uma ‘modernidade
líquida’, em que prevalecem a leveza, a flexibilidade e o mínimo
de estruturas. Os bens, em termos físicos, pesam cada vez menos, mas
valem cada vez mais em termos simbólicos, sobretudo quando geram
conhecimentos e inovações”, já dizia o sociológo polonês,
cunhador do termo.
Outra proposição
bem aceita entre os teóricos do novo modelo de comunicação global,
refere-se à onipresença da mídia. Para o sociólogo Octávio
Ianni, a mídia pode ser chamada hoje de ‘Príncipe
Eletrônico’,
numa alusão aos livros de Maquiavel e Gramsci. Para Ianni, é ela
quem registra os fatos e interpreta, seleciona, pauta seu noticiário
e enfatiza, esquece e sataniza. A mídia tudo vê, está em toda
parte e tudo sabe. Mesmo que nem tudo seja noticiado em razão dos
mais diversos – e, muitas vezes, obscuros – motivos. A mídia
atual é onipresente, ou seja, está em toda parte.
A nova era digital
possibilitou também, e sem dúvida alguma esse foi um de seus feitos
maiores, a instantaneidade da veiculação das informações.
Notícias são transmitidas em tempo real, com a possibilidade ainda
de texto, vídeos, imagens, links com informações referentes àquele
acontecimento, sendo transmitidos de modo global. É o chamado
conceito do ‘hipertexto’,
que mudou nossa forma de ler e de escrever. Esses são apenas alguns
dos aspectos que ganharam vida com o surgimento da internet.
Até mesmo as
relações humanas alteraram-se. Hoje estamos diariamente conectados
com amigos e conhecidos dos mais distantes lugares. Podemos falar,
ver, ler e até ouvir. Falta apenas o contato corporal. Se quisermos,
podemos até criar um avatar e ter uma vida virtual. Fazemos parte de
comunidades, grupos de discussões com afinidades em comum, entre
inúmeros outros exemplos. As consequências geradas por meio desse
novo fenômeno começam a ser sentidas. É a chamada vida on-line, o
grande ‘vício’ do século 21.
“A cultura da
Internet é uma cultura feita de uma crença tecnocrática no
progresso dos seres humanos através da tecnologia, levado a cabo por
comunidades de hackers, que prosperam na criatividade tecnológica
livre e aberta, incrustada em redes virtuais que pretendem reinventar
a sociedade, e materializada por empresários movidos a dinheiro nas
engrenagens da nova economia (CASTELLS, Manuel. A galáxia da
Internet, p. 53)”.
Os perigos da revolução tecnológica
Em “Internet, e
depois?”, Dominique
Wolton
traça um debate crítico sobre a influência da comunicação
tecnológica para a sociedade contemporânea. Em seu livro, o
sociólogo francês alerta para a hipervalorização do processo
revolucionário das mídias. E volta-se também para o perigoso
sentimento de fascinação sem questionamentos que tomou conta da
humanidade.
Sua teoria não
chega a ser contra as novas mídias, mas sim contra o entusiasmo que
se tomou quase que como ordem aceitá-las, sem ao menos fazer um
debate analítico e empírico das conseqüências sociais e culturais
que despontaram junto com o fenômeno. Wolton critica,
principalmente, os rumos que a sociedade têm tomado com base naquilo
que a revolução tecnológica a impôs. E se realmente é isto que
desejamos.
Segundo sua teoria,
o poder do mercado determinou a revolução. E aí, indiretamente,
entra uma outra crítica, direcionada ao capitalismo. Wolton
preocupa-se com a tríade “democracia–identidade–cidadania”.
Para ele, o excesso de novas tecnologias não é, de maneira alguma,
garantia de que teremos mais democracia, mais liberdade de
pensamento, e principalmente, de compreensão de nossos problemas e
anseios enquanto humanistas.
“Como se a
compreensão entre as culturas, os sistemas simbólicos e políticos,
as religiões e as tradições filosóficas, dependesse da velocidade
das informações! Como se a troca mais rápida de mensagens
significasse uma compreensão melhor. É em parte verdade para a
economia, mas em todo caso o é bem menos para os fenômenos sociais
e políticos”, frisa Wolton. Quando, na verdade, é exatamente o
contrário. “A fascinação se impõe sobre o desejo de compreender
melhor”, completa ele.
Wolton alerta ainda
para o igualmente perigoso caminho da tirania e da subserviência aos
novos meios de comunicação. Para ele, necessitamos de uma revolução
nos meios de comunicação, com ruptura radical de parâmetros, para
só assim compreendermos melhor o que realmente desejamos enquanto
cidadãos dotados de crítica e de razão. E pede ainda que, dessa
vez, a revolução não nos seja imposta.
REFERÊNCIAS
CASTELLS, Manuel. A
galáxia da Internet. Editora Jorge Zahar.
ZYGMUNT, Bauman.
Modernidade Líquida. Editora Jorge Zahar.
WIKIPEDIA. Jünger
Habermas. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jürgen_Habermas. Acesso em 07 de julho
de 2009.
OBSERVATÓRIO DA
IMPRENSA. Caio Túlio Costa. “O jornalismo não será o ator
principal”. Disponível em
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=351IPB012.
Acesso em 05 de julho de 2009.
SIMULACRO E INCLUSÃO
SOCIAL. Gisele Gallichio. Disponível em
http://www.educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=78:simulacro-e-inclusao-social&catid=6:educacao-inclusiva&Itemid=17
. Acesso em 07 de julho de 2009.
WOLTON, Dominique.
Internet,
e depois? Uma teoria crítica das novas mídias.
Editora Sulina.





Excelente texto para reflexão.